Terça-feira, Março 06, 2007

Surreality - Good and Evil...

Existem dias que parecem ser feitos para quebrar a sua concepção de mundinho seguro. Externa ou internamente, as vezes somos arrastados, aos gritos, para tomar certas decisões. Algumas são feitas num átimo de segundo, algumas são pensadas longamente, outra tantas são enforced. Enforced valendo.

Ontem, domingo, foi um desses dias para mim.

Tudo começou bem cedo. na verdade, antes de eu dormir. Estava chegando da casa de uns amigos, e estacionando meu carro. O estacionamento fica a 3 pavimentos do chão, com umas mangueiras, e com uma visão do rio que corre do lado do meu prédio.

Bom... quando saí do carro, foi obrigado a perceber que estava no meio de uma puta relação de simetria cósmica. Calma, sei que isso parece um pouco não-muito-minha-cara, já que não sou, de modo algum, o tipo esotérico. Mas vejam só.

Cheguei tarde (ou cedo, alguns diriam) e o sol tinha nascido já. A singularidade toda é que tinha tido noite de eclipse. E quando eu olho para a esquerda, direção oeste, eu vejo a lua cheia entre os prédios. Só isso já seria um acontecimento. Era DIA. mas a lua estava tão visivel e próxima. outra coisa é que a linha do horizonte só é visível do me estacionamento por uma "fresta" entre os prédios do outro lado do rio. Já seria uma imagem rara, para se lembrar.

Mas o bizarro foi olhar pára a direita, o lado leste. O sol, como eu citei, estava nascendo. E a lua e o sol tinham a mesma altura no horizonte, em lados opostos. Um raro exemplo astronômico natural de aparente simetria perfeita.

Não deve ter tido muita gente na cidade a perceber isso. Tive vontade de pegar uma daquelas câmeras experimentais de foto com ângulo de 360 graus para imortalizar o momento.

Para aqueles que acreditam em presságios (eu tenho uma atitude meio "jo no creio em brujas, pero..." em relação a eles. Não é exatamente meu dom... :) ), seria algo a se pensar .

A coisa ainda continuou durante o dia. No caminho da casa da minha namorada, decidi concretizar um plano de viajar. Assim. Out of the Blue. Tinha uma promoção, eu tive uma chance e peguei.

Devo informar que sou uma pessoa muito dada a questionar meus instintos (as vezes para meu próprio prejuizo...). Gosto das coisas pensadas, combinadas, sistematizadas, e por que não dizer, estáveis. Isso as vezes me estagna em determinados pontos da vida, decisões. E daí que me refiri ao vazio-de-som entre o trovão e o relâmpago, no post anterior.

Então, compreendam, fazer esse tipo de decisão assim sem planejamento é um comportamento bem anômalo para mim. Mas já me falaram que eu tinha de seguir mais meus instintos, então, estou fazendo isso. Just for the hell of it. Espero não pagar muito caro.

Já de passagem na mão e exultante com minha própria ousadia (how foolish...), fui para a casa da minha namorada. Algumas horas depois, voltei para casa, por um caminho alternativo. Devido ao fato de meu carro estar irregular (malditos bancos. Façam os pagamentos quando eu mando, não quando strikes your fancy!?!), tomei um caminho alternativo.

Bom, agora vem a parte complexa. A coisa toda durou alguns segundos, mas foi uma daquelas situações onde o seu cérebro recebe um jôrro de adrenalina e tudo fica insuportavelmente lento...

Parei num sinal. Do lado direto, 3 moleques estavam sentadaos. O relógio do painel do carro, sincronizado com o meu celular, marcava 11:47.

Um dos meninos levantou. "Vou ser assaltado, pensei." outro carro parou a minha direita, ocultando minha visão. olhei á frente, e ainda haviam alguns carros passando o cruzamento. Um deles entrou na frente o meu capô. Tão próximo, que não era possivel enxergar seus joelhos. Olhei pelos retrovisores. e pelo retrovisor direito, passou um pequeno, agachado, sneaking para que eu não o visse no retrovisor central do carro.

Fiquei preso na seguinte decisão moral: Se eu ficar, sou assaltado. Se eu soltar a embregem, o carro arranca, e eu atropelo uma criança. Posso não matá-la, mas no mínimo, quebro seus joelhos.

Eu sou mais humano do que gostaria. Resignei-me. Eu IA ser assaltado.

Rapidamente, um garotinho que se tivesse 12 anos, tinha muito, bate no meu vidro.

Na sua mão, ele tinha uma arma de fogo, que retirara de baixo da camisa. Um calibre 38, cano longo, não o famoso snubnose. Provavelmente um clone de um colt, já que Smith e Wesson são cromados de fábrica, e não fôscos. That shit was no replica.

O garoto de 12 anos, com um arma de gente grande, exigiu meus pertences.

Dizem as vezes que nossos ancestrais nos dão dicas interessantes, e um desses casos foi hoje. Carrego(carregava...) uma carteira falsa, cheia de papel, com 2 reais dentro, que eu imediatamente passei por uma fresta no vidro.

O menino com a arma pediu o celular. O outro disse para eu ir embora, saindo da frente do carro. Eles não concordaram, e com esse momento de discordância, sai o mais rápido que meu motor 1.0 permitiu.

Acho que um pouco (mais um pouco?) do meu respeito á vida humana morreu ontem a noite. Próxima vez que uma criança parar na frente do meu carro, á noite , eu vou passar por cima dela. I swear.

Acho que estou ficando egoísta. Talvez isso seja uma coisa boa. Se eu posso dar um chute sobre o Omen astronômico de ontem eu diria que vai ser um ano de grandes conquistas e grandes perdas.

Se for verdade. So Be It.

Abraços a todos. Até semana que vêm.

3 Comments:

At 10:41 AM, Diogo said...

Humanidade 5
"Shit happens, things break, people die".

 
At 6:51 PM, Lady Lycosa said...

oips...pois é..eu teria passado por cima...
acho que já perdi minha humanidade faz tempo. E tô falando sérissimo aqui.

 
At 6:52 PM, Lady Lycosa said...

e ei, quando vc resolverá viajar pra cá, pra uma festa medieval dos sonhos???hihi...

 

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