Sobre o Wanderlust
As vezes temos que nos afastar de nós, para podemos nos enxergar melhor.
Sei, essa frase soou demasiadamente críptica, mas sinceramente, estou exausto, desanimado, e são 4:00 da manhã. Então, leiam, ou danem-se. I couldn´t care less, at the moment.
Em muitas culturas é normal e esperado que surjam dúvidas. (Aparentemente os homens são mais propenso a esse tipo de auto-questionamento. Talvez a biologia feminina lhes dê mais segurança sobre seus caminhos e papel no grande esquema universal. Ou talvez, a maior parte dos contadores de história humanos registrados sejam homens. Go Figure.) Temos dúvidas sobre tudo, desde a natureza do mundo, estados do espírito, sorte ou destino. As vezes, essas dúvidas pesam na mente. Ou no espírito. Ou na alma. Como queiram.
Esse costume de viajar para encarar certas dúvidas parece ser uma coisa multi-cultural. Os muçulmanos devem ir a Meca ao menos uma vêz durante suas vidas. Os cristãos da época das cruzadas (os plebeus. Os nobres iam matar mesmo) faziam peregrinações ao monte onde cristo morreu ou fez pregações, e sentavam esperando um sinal. Os Celtas entravam na mata e seguiam um cervo até onde ele os levasse, e os vikings se afundavam na névoa, gritando que Odin os guiasse. Cherokee se reuniam longe das tribos, bebiam suas bebidas sagradas e iam aonde suas visões os levassem. E os pictos... bem os pictos gostavam de puxar as entranhas de um bezerro e ler para onde ir, e iam a pé. Prefiro os meus bezerros assados, e não crús. E pernil as entranhas. Mas eu divago.
Ao fim e ao cabo, dava tudo no mesmo: Rompiam-se os laços com o mundo quotidiano, ou ao menos quase todos, e ficava-se alguns dias fora. Esperava-se que um pouco de solidão clareasse a mente, sacodisse a poeira do espírito, e jogasse um pouco de luz onde as trevas da rotina e do hábito (duas forças que sempre existiram desde que a civilização existe) haviam obscurecido. Reexaminar decisões, refazer escolhas, e manter, ou não, rumos traçados a muito tempo por sí mesmos ou por outros. O caminho percorrido pode ser uma metáfora da vida, e por isso a vontade de vagar, o Wanderlust. A única forma de se olhar fundo na sua própria anima, segundo muitos, é estar bem longe para poder ver com clareza. É uma forma de experiência mítica, embora não tenha nada de mística. É auto-compreensão, não religião, embora elas possam andar bem próximas.
Hoje é mais difícil se afastar realmente: Andamos de avião, levamos celulares, temos hoteis e pousadas. Mas existe uma coisa, ao mesmo tempo excitante e atemorizante, em se por os pés para fora de casa sem ser para a rotina casa-estudo-trabalho. Embora saibamos para onde queremos ir, nós nunca sabemos exatamente por onde iremos. Bilbo definiu isso bastante bem em Lord of the Rings: "Quando os pés batem na estrada, só eles sabem onde a estrada acaba. Não você."
E eu particularmente acho que o simbolismo é o que conta. Não precisa ser para um deserto, ou ilha deserta, K4 ou savanas longinquas. Pode ser algum lugar do mesmo país, longe o suficiente para sentir o simples fato que não está mais em casa. Aí sim, pode-se colocar as mãos na nuca, e fazer coisas que nós nunca fazemos: caminhar e pensar.
Acho que esse é um hábito antigo e saudável que a nossa civilização extirpou da gente. Aliás, segundo Campbell, como muitos outros hábitos sagrados saudáveis. Mas isso é história para boi dormir de outro dia.
Abraços a todos, Boa Viagem e até a próxima semana.

2 Comments:
Esta postagem foi removida pelo autor.
"Talvez a biologia feminina lhes dê mais segurança sobre seus caminhos e papel no grande esquema universal."
...ou talvez elas simplesmente esperem que os homens façam isso por elas: "eu adoro ele, me sinto segura...". Nhé! :þ
Postar um comentário
<< Home