Domingo, Março 25, 2007

Encontros e Desencontros with Auras

Várias pessoas mais sábias do que eu escreveram sobre o ato de viajar. Mark Twain disse que a viagem é fatal para o preconceito, para o ódio e para a mente fechada. Kafka dizia que os caminhos são ao serem percorridos, e com ele concordava Santo Agostinho. Este aliás, ia mais longe, e colocou que se sua a vida é um livro, os que não viajam só lêem primeira página.
Assim parece ter sido para mim nesses 3 dias foras. Na verdade, tem uma sensação que na verdade, eu não só pulei páginas que já conhecia, mas que dei um pulo sem ler para algum capítulo aleatório e estranho. Eu não gosto de acreditar em destino (as vezes parece ser demasiadamene cômodo...) e prefiro acreditar, que na verdade deveria ter feito isso a muito tempo.
Uma mulher sábia me falou, vários anos atrás, que o mestre só aparece quando o aluno está pronto, e as lições são aprendidas no tempo que lhes é devido (também parece ser demasiadamente cômodo, as vezes), mas as vezes você tem de respeitar a conjuntura de fatores. Se Ele, Ela, ou a força primordial realemente existem Ele/Ela/Isso parece ter um senso de ironia dos mais fortes e (e por que não?) deliciosos. Campbell ia adorar. A toast to you, old teacher. Suas lições foram lembradas.
O fato, é que estou de volta. Passei por algumas experiências interessantes, de encontrar coisas únicas e ver escorrer outras por entre seus dedos, como areia na ampulheta. Enquanto as pernas andam, a mente se reorganiza sozinha, e pequenas coisas ditas inocentemente podem tomar proporções bem maiores do que elas próprias, e como num cubo mágico, de repente tudo pode clicar no lugar. Ironicamente, lhe mostrando o óbvio. "Plus ça change, plus c'est la même chose", diria Alphonse Karr. Quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas.
De uma forma similar as vezes, nos lugares mais estranhos, você pode reencontrar alguns pedaços seus jogados no chão, como se sempre estivessem por lá. Embora você os tenha jogado longe, anos atrás, e algumas dezenas de quilometros de distância. É bom estar de volta, igual ao que era quando saiu, mas certamente diferente.
O que me leva as reflexões sobre a Aura. Antes que alguém me acuse de místico (tenho notado uma certa tendência a filosofia neste blog nos últimos meses, mas de um lado pro outro tem um mundo...), me refiro aos escritos de Walter Benjamim. Resumindo em um pires, ele dizia que a obra de arte original possui uma "aura", um invólucro que a identificava como a original. Esse senso de Awe, de impressão forte ao contemplar uma obra de arte original viria como resquício dos tempos em que a arte servia apenas a um processo místico e religioso, e a reproductibilidade da arte teria acabado com isso.
Bom... no aspecto base da teoria, o maldito bastardo estava 100% correto: Existe uma coisa tangível, emocional e prímal em você poder assistir o show Live On Site da sua banda favorita. Não chego a dizer que é uma conexão com o místico no sentido literal, mas existe um resquício dessa mística que o Youtube e Ipods (ainda) não conseguem refazer.
Existe mais coisas que a obra em sí, mas sim todo um novo jogo de comportamento, e normas, que podem gerar determinados efeitos no espírito. Como quando vamos ao cinema e entramos na sala, são colocadas novas formas de sociais que se tornam aceitáveis, outras são colocadas fora da equação, e algumas outras novas são propostas. Prato cheio para os analístas, eu diria. Lacan adorava. Mas eu divago.
A minha teoria é que, sim, a Aura existe. Ela existe como derivado emocional dos antigos cantos para os espíritos, ou pinturas nas paredes das cavernas, ou danças sagradas para fazer chover e trovejar, ou o sacrifício de pessoas no topo de pirâmides irregulares, ou finalizar uma escultura de um Deus, whatever, que com a ciência, foi se perdendo para nós. Para o bem ou para o mal, a arte se separou do místico religioso a muitos milhares de anos. E eu acho que essa separação deixou um buraco na gente.
Hoje, eu diria que o que toca a alma e nos move, não está na obra de arte, mas ao redor. Ou seja, não está na música, ou na pintura, ou no livro, ou no filme. Está em nós, que nos deixamos levar pela mão, e que colocamos nossa alma para fora, e por um segundo, achamos que aquele filme, aquela pintura, poesia, trecho ou quadro, foi feito para nós, tenha ele surgido agora ou a 900 anos.
E isso não poderiamos fazer no conforto de nossos lares, com nossos mouse e controles remoto. Existe uma diferença em ver um filme no cinema e em casa num monitor, ter uma réplica de uma xilogravura de Rembrant na parede em relação a ir num museu, e olhar aqueles traços precisissimos com uma lupa. Ou escutar um show ao vivo no youtube a estar lá, uivando tão alto que os mortos poderiam se levantar, ou achar que seu espirito vai sair pela sua boca, a cabeça pulsando a cada respiração. E adorando cada segundo.
Momentos assim podem recarregar e ou curar almas feridas. Ou talvez não. Isso tudo pode ser um bocado de bobagem. Cada qual com o seu remédio...

Até a próxima semana.

Lobo.

Quinta-feira, Março 15, 2007

Sobre o Wanderlust

As vezes temos que nos afastar de nós, para podemos nos enxergar melhor.

Sei, essa frase soou demasiadamente críptica, mas sinceramente, estou exausto, desanimado, e são 4:00 da manhã. Então, leiam, ou danem-se. I couldn´t care less, at the moment.

Em muitas culturas é normal e esperado que surjam dúvidas. (Aparentemente os homens são mais propenso a esse tipo de auto-questionamento. Talvez a biologia feminina lhes dê mais segurança sobre seus caminhos e papel no grande esquema universal. Ou talvez, a maior parte dos contadores de história humanos registrados sejam homens. Go Figure.) Temos dúvidas sobre tudo, desde a natureza do mundo, estados do espírito, sorte ou destino. As vezes, essas dúvidas pesam na mente. Ou no espírito. Ou na alma. Como queiram.

Esse costume de viajar para encarar certas dúvidas parece ser uma coisa multi-cultural. Os muçulmanos devem ir a Meca ao menos uma vêz durante suas vidas. Os cristãos da época das cruzadas (os plebeus. Os nobres iam matar mesmo) faziam peregrinações ao monte onde cristo morreu ou fez pregações, e sentavam esperando um sinal. Os Celtas entravam na mata e seguiam um cervo até onde ele os levasse, e os vikings se afundavam na névoa, gritando que Odin os guiasse. Cherokee se reuniam longe das tribos, bebiam suas bebidas sagradas e iam aonde suas visões os levassem. E os pictos... bem os pictos gostavam de puxar as entranhas de um bezerro e ler para onde ir, e iam a pé. Prefiro os meus bezerros assados, e não crús. E pernil as entranhas. Mas eu divago.

Ao fim e ao cabo, dava tudo no mesmo: Rompiam-se os laços com o mundo quotidiano, ou ao menos quase todos, e ficava-se alguns dias fora. Esperava-se que um pouco de solidão clareasse a mente, sacodisse a poeira do espírito, e jogasse um pouco de luz onde as trevas da rotina e do hábito (duas forças que sempre existiram desde que a civilização existe) haviam obscurecido. Reexaminar decisões, refazer escolhas, e manter, ou não, rumos traçados a muito tempo por sí mesmos ou por outros. O caminho percorrido pode ser uma metáfora da vida, e por isso a vontade de vagar, o Wanderlust. A única forma de se olhar fundo na sua própria anima, segundo muitos, é estar bem longe para poder ver com clareza. É uma forma de experiência mítica, embora não tenha nada de mística. É auto-compreensão, não religião, embora elas possam andar bem próximas.

Hoje é mais difícil se afastar realmente: Andamos de avião, levamos celulares, temos hoteis e pousadas. Mas existe uma coisa, ao mesmo tempo excitante e atemorizante, em se por os pés para fora de casa sem ser para a rotina casa-estudo-trabalho. Embora saibamos para onde queremos ir, nós nunca sabemos exatamente por onde iremos. Bilbo definiu isso bastante bem em Lord of the Rings: "Quando os pés batem na estrada, só eles sabem onde a estrada acaba. Não você."

E eu particularmente acho que o simbolismo é o que conta. Não precisa ser para um deserto, ou ilha deserta, K4 ou savanas longinquas. Pode ser algum lugar do mesmo país, longe o suficiente para sentir o simples fato que não está mais em casa. Aí sim, pode-se colocar as mãos na nuca, e fazer coisas que nós nunca fazemos: caminhar e pensar.

Acho que esse é um hábito antigo e saudável que a nossa civilização extirpou da gente. Aliás, segundo Campbell, como muitos outros hábitos sagrados saudáveis. Mas isso é história para boi dormir de outro dia.

Abraços a todos, Boa Viagem e até a próxima semana.

Terça-feira, Março 06, 2007

Surreality - Good and Evil...

Existem dias que parecem ser feitos para quebrar a sua concepção de mundinho seguro. Externa ou internamente, as vezes somos arrastados, aos gritos, para tomar certas decisões. Algumas são feitas num átimo de segundo, algumas são pensadas longamente, outra tantas são enforced. Enforced valendo.

Ontem, domingo, foi um desses dias para mim.

Tudo começou bem cedo. na verdade, antes de eu dormir. Estava chegando da casa de uns amigos, e estacionando meu carro. O estacionamento fica a 3 pavimentos do chão, com umas mangueiras, e com uma visão do rio que corre do lado do meu prédio.

Bom... quando saí do carro, foi obrigado a perceber que estava no meio de uma puta relação de simetria cósmica. Calma, sei que isso parece um pouco não-muito-minha-cara, já que não sou, de modo algum, o tipo esotérico. Mas vejam só.

Cheguei tarde (ou cedo, alguns diriam) e o sol tinha nascido já. A singularidade toda é que tinha tido noite de eclipse. E quando eu olho para a esquerda, direção oeste, eu vejo a lua cheia entre os prédios. Só isso já seria um acontecimento. Era DIA. mas a lua estava tão visivel e próxima. outra coisa é que a linha do horizonte só é visível do me estacionamento por uma "fresta" entre os prédios do outro lado do rio. Já seria uma imagem rara, para se lembrar.

Mas o bizarro foi olhar pára a direita, o lado leste. O sol, como eu citei, estava nascendo. E a lua e o sol tinham a mesma altura no horizonte, em lados opostos. Um raro exemplo astronômico natural de aparente simetria perfeita.

Não deve ter tido muita gente na cidade a perceber isso. Tive vontade de pegar uma daquelas câmeras experimentais de foto com ângulo de 360 graus para imortalizar o momento.

Para aqueles que acreditam em presságios (eu tenho uma atitude meio "jo no creio em brujas, pero..." em relação a eles. Não é exatamente meu dom... :) ), seria algo a se pensar .

A coisa ainda continuou durante o dia. No caminho da casa da minha namorada, decidi concretizar um plano de viajar. Assim. Out of the Blue. Tinha uma promoção, eu tive uma chance e peguei.

Devo informar que sou uma pessoa muito dada a questionar meus instintos (as vezes para meu próprio prejuizo...). Gosto das coisas pensadas, combinadas, sistematizadas, e por que não dizer, estáveis. Isso as vezes me estagna em determinados pontos da vida, decisões. E daí que me refiri ao vazio-de-som entre o trovão e o relâmpago, no post anterior.

Então, compreendam, fazer esse tipo de decisão assim sem planejamento é um comportamento bem anômalo para mim. Mas já me falaram que eu tinha de seguir mais meus instintos, então, estou fazendo isso. Just for the hell of it. Espero não pagar muito caro.

Já de passagem na mão e exultante com minha própria ousadia (how foolish...), fui para a casa da minha namorada. Algumas horas depois, voltei para casa, por um caminho alternativo. Devido ao fato de meu carro estar irregular (malditos bancos. Façam os pagamentos quando eu mando, não quando strikes your fancy!?!), tomei um caminho alternativo.

Bom, agora vem a parte complexa. A coisa toda durou alguns segundos, mas foi uma daquelas situações onde o seu cérebro recebe um jôrro de adrenalina e tudo fica insuportavelmente lento...

Parei num sinal. Do lado direto, 3 moleques estavam sentadaos. O relógio do painel do carro, sincronizado com o meu celular, marcava 11:47.

Um dos meninos levantou. "Vou ser assaltado, pensei." outro carro parou a minha direita, ocultando minha visão. olhei á frente, e ainda haviam alguns carros passando o cruzamento. Um deles entrou na frente o meu capô. Tão próximo, que não era possivel enxergar seus joelhos. Olhei pelos retrovisores. e pelo retrovisor direito, passou um pequeno, agachado, sneaking para que eu não o visse no retrovisor central do carro.

Fiquei preso na seguinte decisão moral: Se eu ficar, sou assaltado. Se eu soltar a embregem, o carro arranca, e eu atropelo uma criança. Posso não matá-la, mas no mínimo, quebro seus joelhos.

Eu sou mais humano do que gostaria. Resignei-me. Eu IA ser assaltado.

Rapidamente, um garotinho que se tivesse 12 anos, tinha muito, bate no meu vidro.

Na sua mão, ele tinha uma arma de fogo, que retirara de baixo da camisa. Um calibre 38, cano longo, não o famoso snubnose. Provavelmente um clone de um colt, já que Smith e Wesson são cromados de fábrica, e não fôscos. That shit was no replica.

O garoto de 12 anos, com um arma de gente grande, exigiu meus pertences.

Dizem as vezes que nossos ancestrais nos dão dicas interessantes, e um desses casos foi hoje. Carrego(carregava...) uma carteira falsa, cheia de papel, com 2 reais dentro, que eu imediatamente passei por uma fresta no vidro.

O menino com a arma pediu o celular. O outro disse para eu ir embora, saindo da frente do carro. Eles não concordaram, e com esse momento de discordância, sai o mais rápido que meu motor 1.0 permitiu.

Acho que um pouco (mais um pouco?) do meu respeito á vida humana morreu ontem a noite. Próxima vez que uma criança parar na frente do meu carro, á noite , eu vou passar por cima dela. I swear.

Acho que estou ficando egoísta. Talvez isso seja uma coisa boa. Se eu posso dar um chute sobre o Omen astronômico de ontem eu diria que vai ser um ano de grandes conquistas e grandes perdas.

Se for verdade. So Be It.

Abraços a todos. Até semana que vêm.

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

Fresh Begginings, with lightning.

É eu sei. São 2:00 da manhã.

Mas está trovejando lá fora. Relampejando. E eu realmente tenho uma relação ESQUISITA com esse tipo de fenômenologia natural. Gosto das metáforas que ela suscita. São humbling, em sua própria natureza.

A relação do som-luz do relâmpago é interessante. Da minha janela (75 metros do chão), pode-se ver uma coisa relativamente rara aqui: raios com poucas nuvens. Embora não seja de longe o dilúvio redentor que foi ontem a noite, certamente é uma força a ser respeitada. Mas eu divago.

O que me referia é que a velocidade do som é de 1.267 km por hora á temperatura de 25 graus, aproximadamente. Sei que isso parece demasiadamente frio, mas bear it with me people. O fato é que essa velocidade arrasadora é uma mísera fração da inimaginável velocidade da luz do relâmpago.

Digo isso por que daqui de cima é possivel sentir e ouvir a onda de aproximação do som vindo contra a janela, como um reverberar claramente circular, como as ondas de um lago quando atingido por uma pedra. Concêntrica.

E, por algum motivo, sinto frequentemente que a relação de causa e efeito de nossa vida tem velocidades diferentes. Ou talvez seja só verdade para mim. Mas parece que os acontecimentos seriam raios, e a internalização da necessidade de ação seria a chegada do som.

A impressão que eu tenho, é que as vezes, esse hiato luz-som cria uma grande vazio na gente. É certamente confortável: Depois do estímulo da luz, um periodo de estabilidade, escuridão e silencio. Depois, os céus sabem como, o reverberar do próprio ar te atinge. As vezes, passa-se tanto tempo, que olhamos ao redor e perguntamos "o que foi isso?!"

Acho que tenho passado por periodos desses durante os anos, como se nos intervalos, o tempo ficasse parado. Não fica. The clock is ticking. Pensei um pouco nisso na noite de ontem, enquanto os raios caíam sem muita preocupação ou piedade, com os pobres seres humanos que não conseguiam dormir. Será que eles têm medo dos raios, dos relâmpagos, ou do vazio entre eles? Eu certamente, dos 3, sei qual deles eu tenho mais medo.

Comentei com algumas pessoas que para mim, o ano novo chegou agora dia 11 de fevereiro. Muitas mudanças em vista, pouca estabilidade, quase nenhuma certeza, em quase nenhum campo. O relâmpago já fora, e eu estava no hiato de novo. Talvez seja hora de ouvir o som chegando e sair da potêncialidade para a cinese.

Afinal de contas, estou ficando um pouco cansado de ouvir que existe grande potêncial em mim. Cansado também de tentar. Acertar um pouco seria bom.... for a change.

Fora isso, num plano mais metafórico, a tempestade me relembram antigas lembranças, de coisas que se foram, ou se tornaram outras coisas. Outras eras do mundo, com outras coisas nela.

Ah... num rápido hiato para a música do momento:


TURN THE PAGE - Blind Guardian

Hunter
We're here to praise your name
Blazing sun
And bitter death
You're the guardian
Cross the gate

Wake up it is a new dawning
Wake up the witches wait
For you
Remember the mirror
When she looked in
You were born in the void
In the middle of none
There was nobody else
There was nothing at all
Well sons and daughters
Joy's in the air
The horned one dies
Renewal
Everywhere

Turn the wheel again
A new beginning
Another end
Dried out the land needs blood
Inside the ring we're waiting
Give up yourself
Enter life

It's set up for you
Come turn the wheel
There is nothing to fear
Come turn the wheel
Come turn the page
Come turn the page

We do not believe in lies
Do not believe in lies
There's someone coming
There's someone coming
We hear a voice
From the underworld
Now everything should move
When a new day begins

God of wind and god of rain
Turn the wheel
Oh you better be aware
The mermaids
They will sing for you
The nymphs will bless the child

Reunite them
Sacrifice him

We will be with you until the end
Come move our hearts
We know
There is light beyond the dark
Dried out we cry for blood
Conquer your fear and join us
Come quide us now
The time is right

It's set up for you
Come turn the wheel
There is nothing to fear
Come turn the wheel
Come turn the page
Come turn the page

A new beginning
Another end
The myth of life
You hold in your hand
We cry out
The land needs blood
The change of season
Praise to the newborn king

It's set up for you
Come turn the wheel
There is nothing to fear
Come turn the wheel
Come turn the page
Come turn the page



Mas... time to get practical.

1) Estou ainda tentando entrar no mestrado, o que quer dizer que vai rolar muita coisa nesse sentido daqui para o fim do ano. Vou voltar a usar o Blog como bloco de rascunho logo, espero. Último ano foi um Bad Year for Science. Espero que não se repita nesse.

2) Estou com um Paper pronto sobre a correlação Martin Scorsese - Cidade de Deus. Ainda não apareceu a inspiração para a conclusão, mas isso vai ter que sair nesse fim de semana. Aliás junto com outro artigo. Nem que seja a fórceps.

3) Comprei o Hunters of Dune, o mais novo livro do Brian Herbert. Estou fazendo uma coisa que não fazia a muito tempo: ler 3 livros ao mesmo tempo, fora as leituras paralelas. Não deu muito certo por que as paralelas tavam meio pesadas.

4) Terminei Eragon (supreendentemente bom, considerando que o autor tinha 15 anos. Não tem um pingo de originalidade nele, mas tem uma chama de complexidade que Harry Potter não sonharia em ter antes de muitos arcos de história. Esqueçam o filme. Não sou tão purista quanto alguns que conheço, mas gosto de ter ALGUMA coisa igual na história). Estou no fim do Eaters of The Dead (Michael Critchton, que reescreveu o mito de Beowulf sob uma perspectiva histórica. Acho que Bernard Cornwell sugou Crichton quando fez a trilogia de artur. Sim foi a base do ruim 13th Warrior, mas eu ADORO aquele filme com todas as minhas forças de narrador de werewolf.... ). Também estou na metade de Hunters of Dune(que como sempre é um absurdo de bom. Tem como dar errado ALGO no universo de Duna? Absolutamente brilhante). Fora isso ler a Wired as vezes já é dificil o suficiente. :)

Bom... por enquanto é isso. Estou com sono e tenho MUITA coisa para pensar.

Boa noite a todos.

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Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

Bad Year for a Lot of things - Science in particular.

Hmm vamos ver.

Pos graduação ainda on the way, e não tenho conseguido ler os materias dela.

Meus artigos pra SBgames foram aprovados mas não publicados.

Meu projeto de mestrado foi aceito, mas não fui aprovado.

Podemos concordar, portanto que foi um ano ruim para a Ciência.

Acho que só vou cuidar dos Papers da pós graduação depois do natal. Eu não acredito em ano novo de verdade. :)

Bernardo.

Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Food for Thought

Essas ultimas 3 semanas têm sido muito loucas, então mal tenho tido tempo de me concentrar no pré projeto. Trabalhando muito. então temo que esse post seja menos divertido, talvez, do que a média dos posts anteriores. Minha vida tem menos diversão ultimamente...


- Sobre a teoria da tese...

Consegui umas bases teoricas muito boas agora com o livro do Roger Fiddler (o Mediamorphoses, God Bless The Amazon). Ele explica o processo de transformação de uma midia para a outra de um jeito bem legal. Ele explica que geralmente o que acontece com as novas mídias é que elas geralmente não são utilizadas das formas como foram pensadas no laboratorios. é um efeito divertido que ele chama de Tecnomiopia: A tecnologia é lançada fora do laboratorio e não faz o efeito esperado, então falha a corresponder as espectativas. Então, por causa desse desapontamento, perde-se a visão de longo prazo dos usos da tecnologia.

Isso parece ter acontecido com o cinema interativo. Estava lendo sobre o Dreammatch, um sistema de projecção interativa desenvolvida pelo grupo de estudos do MIT. Essencialmente, é uma serie de projeções que você assiste em cima de um tapete, com varias telas em varias direcoes. Conforme você anda pelo tapete, as projeções reagem ao lado que você está olhando, mudando a direção a historia. A prejeção externa disso foi num dos festivais de cinema de Berlim em 1999.

Okay. Temos as ferramentas de interação. Elas funcionam. Por que diabos não temos nenhuma noticia disso?

Gente... Jesus christ. It's a fucking carpet. A CARPET. você anda nele. Ele deixa seus pés macios. Serve para pisar nele.

Como as maquinas do pump provaram tão bem. AQUILO para mim é uma interface eficiente para e instintiva para o usuário dado o propósito dela.

Como CACETE você quer que o usuário compreenda as ferramentas dele esse jeito? É realmente coisa de laboratorio isso. Chamem-me de miope, mas foi a mesma coisa que aconteceu com as plataformas de uso gráfico. Antes a gente trabalhava com DOS, acho que a geração de computadores atuais nem lembra mais disso. Eram comandinhos digitados e tal, até que o Steve Jobs criou o sistema de interação icônica, que é MUITO mais instintivo. Por que isso não se popularizou ainda rápido? por que a turma do laboratório estava convencida que computadores tinham "de ser coisas da elite intelectual".

Então por que diabos não usam as ferramentas de interação que o usuário já conhece?! Andei lendo tambem o Remediation do Grosmky, e ele coloca uns pontos legais sobre isso: Toda midia come ferramentas de suas midias antecedentes, até desenvolver sua linguagem própria, no periodo de adaptação de 30 anos sugerido pelo Fiddler de qualquer tecnologia. O cinema, talvez a mídia que menos mudou em 100 anos, originalmente, era apenas um tipo de teatro filmado, e sem voz (Nunca existiu cinema realmente mudo, ao contrário do que se pensa), que levou um tempo até desenvolver a linguagem que tem hoje. Televisão idem, que pegou a imagética do cinema e a linguagem imediatista do rádio até chegar no modelo atual (Que está para cair também um bom pedaço, com a chegada da TV digital...).

Vendo isso... como diabos esses nerds do MIT acham que os usuários vão saber como modificar uma narrativa com uma porra de um TAPETE? :) Isso é um salto muito grande. O fiddler deu um exemplo maravilhoso sobre telefones celulares que fucioanaram por que eles faziam pontes com uma outra interface que o usuario já conhecia, que eram os telefones sem fio. Quando eles resolveram os problemas de aceitação (Os sinais ruins e a qualidade da transmissão), pronto. Agora não tem quem viva sem os malditos celulares. Tecnocracy wins, you know.

Então eles deveriam usar as ferramentas de interação computacional que o usuáro já sabe. Algum ser humano em idade de ir ao cinema na terra não sabe usar um mouse? Unlikely. E nesse ponto, a industria de jogos avançou muito nos usos dessa ferramenta. O Nilson uma vez mostrou a mim e ao CTM o Farenheit, um jogo que tem a ousadia (ou arrogância, alguns diriam), de intitular, no menu de abertura, não um New Game para começar, mas sim New Movie.

E era completamente digna a coisa toda.A interface Keyboard-Mouse era MUITO instintiva (mova o mouse para o lado, ou para cima, obedecendo um discreto iconezinho para executar ações), de modo que você não gasta mais de 5 minutos aprendendo a se mover. E de acordo com o manual de roteiro do Field, você decide se gosta ou não de um filme nos primeiros 10 a 12 minutos. É seguro achar que seria o mesmo para jogos... Isso descontanto a parte gráfica e de som que era impecável.

AQUILO é algo que pode ser facilmente reconhecido pelas audiências como uma mídia derivada de cinema, e que pode ser usada comercialmente pelo usuário médio sem ele ter de fazer algo tão estranho quanto pensar com os pés.

Pensem nisso. Pensar com os pés é algo que levamos MESES para conseguir aprender num Dojo ou salão de dança. Por que diabos o average joe ia consegui fazer isso logo de cara numa interface estranha. Muito maravilhante e tudo o mais, mas muito fora do usuario comum. Seria melhor usar o maravilhoso sistema que o mit criou de reorganização de trechos para dar mais força as essa narrativas digitais.

É dai que poderemos tirar o que poderá realmente se tornar o cinema interativo no futuro eu acho.

Pronto. falei. :)

Abraços.

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

All Returns to Normal. Eventually

É...arrumar constancia para postar é uma dificuldade. Vamos tentar manter a coisa num nível decente, e tentar ir devagar.

- Murphy affects itself.

Todos vocês ja conhecem minha ideias sobre como murphy governa o universo.
Tinha uma peça no meu carro ao lado da correia com um sifãozinho que andava meio solta. Achava eu que ela poderia aguentar até o carro completar 15k Km antes de eu levar ele para a revisão obrigatória e trocar.

Heh. Yeah. Right.

Quando numa sexta feira de freelancer, com um artigo para finalizar, e com tons de trabalho no dia seguinte que iam ficar atrasados(apenas em dias onde o tempo realmente IMPORTA para você que essas coisas acontecem!), a bentida peça solta e cai dentro dos fossos incandescentes do motor.

Entao vamos colocar isso em sua forma mais apropriada para mais rapida compreensao

EXT - DIA - Lateral do tacaruna

DIA ensolarado, quentissimo. BERNARDO sai com o carro pela saida da agamenon magalhães. Está obviamente apressensivo por causa da peça do carro que está instavel. Mas quando ele acaba de sair do estacionamento, o carro EMITE UM RUIDO ESTRANHO E AGUDO, anda um pouco e DESLIGA.

BERNARDO: Puta que pariu...

CARRO para no acostamento. BERNARDO destrava CAPÔ.

BERNARDO: por que você me ODEIA?!

BERNARDO sai do carro. Levanta o capô. Levanta de dentro do motor uma peça plástica preta altamente danificada, com cortes profundos como os de uma faca quente na manteiga.

BERNARDO: eu sabia que tinha de ter mantido você fora do carro quanto tive a chance.

a peça, envegonhada, não responde.

Olhando dentro do motor, nota-se que a correia esta com um corte ao comprido, e que a parte seccionada saiu do rolamento para o lado pior, entrando dentro dos mecanismos.

BERNARDO (Resignado): OH. Right. Fucking great.

Nesse momento para um carro do lado. Dentro estão NAMORADA, MÃE DA NAMORADA e AVÔ DA NAMORADA.

NAMORADA: Que você tá fazendo aqui? Que tá acontecendo?

BERNARDO: Nada. O Usual. Murphy me odeia.

NAMORADA: Como?!

BERNARDO: Nada demais. Vou ligar pro seguro para levarem para uma oficina.

NAMORADA: Precisa não. eu conheço um mecânico que pode fazer isso numa boa. Ele vem até aqui, conhece papai a anos, super de confiança. Precisa ligar para seguro nenhum não.

BERNARDO olha o relogio de um celular cinza e velho. 13:25. Digita um numero, salva como MECÂNICO e disca.

INT - DIA - OFICINA

ZOOM OUT do celular: 16:00. BERNARDO GUARDA o celular.

MECÂNICO:Troquei a correia e os rolamentos. São 130 reais.

BERNARDO: Oh. Eu tenho o dinheiro.

TRANSICAO EM BLUR

INT - NOITE - CAIXA ELETRONICO.

BERNARDO guarda 3 NOTAS na carteira para pagar pos graducao

TRANSICAO EM BLUR

BERNARDO tira a CARTEIRA do bolso e entrega o DINHEIRO ao mecânico.

BERNARDO: Ao menos não deu trabalho para resolver.

BERNARDO se vira para NAMORADA.

BERNARDO: Dinheiro na minha mão é vendaval. No meio de todas as coisas ruins, pelo menos eu tive a sorte de você estar passando por lá na hora.

NAMORADA: As coisas não tem de ser assim tão ruins sempre, têm?

FADE OUT.

Moral história: Murphy é tão PODEROSO que as vezes, até o fato das coisas darem errado consegue dar errado!